​ Rio de Janeiro recebe o lançamento do documentário A Jẹun Bó sobre comida de terreiro


Documentário registra culinária sagrada do Candomblé no Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá e será exibido no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira

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Diretora Camila Wóke Mi e o Antropólogo e Babalorixá Rodney Willian

“A Jẹun Bó” registra, pela primeira vez, mais de dois anos da riqueza da culinária e das festas do Candomblé, marcando a estreia da jornalista Camila Silva Wòkè Mí — ex-repórter da Globo e GloboNews — no cinema independente. Com um olhar intimista da diretora, que também é yawô, o documentário é conduzido pelo babalorixá e antropólogo Rodney William e ambientado no terreiro Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá. O filme será exibido no Rio de Janeiro no dia 22 de setembro, às 18h, no auditório do MUHCAB – Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira na Gamboa, em sessão aberta ao público, com entrada gratuita e acessibilidade garantida.

O média-metragem mergulha na culinária sagrada do Candomblé, registrando mais de dois anos de festas, receitas e cotidiano do terreiro Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá, em Mairiporã (SP). A obra conduz um olhar intimista e educativo sobre a cozinha de axé, aproximando o público das tradições afro-brasileiras.

Camila Silva, ex-repórter da Globo e GloboNews e também yawô (iniciada no Candomblé), faz sua estreia no cinema independente. Além da direção, assina produção executiva, direção de arte, fotografia e roteiro

“A Jẹun Bó é para quem é de axé e também para quem nunca pisou em um terreiro. Através do olhar sensível e didático do Pai Rodney, fizemos um registro histórico do nosso cotidiano. Queremos combater o racismo religioso por meio da informação e educação, oferecendo uma perspectiva concreta das tradições que, muitas vezes, permanecem invisíveis ou estigmatizadas”, afirma a diretora.

A produção conta com uma equipe majoritariamente negra e de adeptos de religiões de matriz africana. Entre os colaboradores estão: Swami Pimentel (montagem e finalização), Bruno Hatanaka (arte e design), Gabriel Farias e Nando Omoronum (trilha sonora) e fotógrafos da produtoraDois Neguin. A consultoria do filme ficou a cargo de Pai Rodney William, cuja entrevista conduz a narrativa, ao lado de Tatiana Paula — yawô iniciada para Oxum há cinco anos e uma das responsáveis pelo preparo das refeições sagradas da casa.

A ideia do documentário nasceu durante a pandemia, quando Camila, recém-iniciada no Candomblé, preparou um banquete para os orixás. A experiência, especialmente ao cozinhar o amalá de Xangô, despertou o desejo de compartilhar essas tradições com o público. Em 2023, ao registrar pela primeira vez uma festa de Olubajé, a jornalista decidiu transformar o material em um projeto maior. Pouco tempo depois, a proposta ganhou forma com apoio da Lei Paulo Gustavo, via Prefeitura de Santos (SP).

Após a sessão, haverá uma roda de conversa com Pai Rodney William de Oxóssi, Camila Silva Wòkè Mí e Tatiana Paula, aprofundando o diálogo sobre a importância da culinária no Candomblé e sua relevância cultural. O filme já viajou por Santos, São Paulo, Mairiporã, Goiás, e terá exibições em outras cidades do país até o fim do ano.


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