Documentário é baseado no livro “Os Condenados da Terra” (Crédito: Divulgação/Curta!)
Nascido em julho de 1925 na Martinica, então colônia ultramarina francesa, Frantz Fanon se espantou ao encontrar na metrópole as agressividades do racismo. Ao ser impactado, a vida do médico e intelectual mudou, assim como seu trabalho revolucionário mudaria o mundo. Um dos pioneiros nos estudos pós-coloniais, suas ideias abririam novos campos e teorias, apresentadas no documentário “Frantz Fanon: Sobre a Violência”, que estreia no Curta! no ano em que ele completaria 100 de idade e na data em que se comemora o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Baseado no livro “Os Condenados da Terra”, o filme de Göran Hugo Olsson tem narração de Ms. Lauryn Hill, com imagens inéditas de conflitos de libertação colonial no continente africano em meados do século XX, como Angola e Moçambique. Mais de 50 anos após sua publicação, a obra permanece essencial para compreender não só o pensamento de Fanon, mas também as estruturas de poder do colonialismo e os mecanismos de resistência.
Dividido em duas partes, a primeira apresenta os motivos que levaram Fanon a entender a colonização em todo mundo. Confrontado com as desigualdades, denuncia a violência inerente ao colonialismo.
“A decolonização é o encontro de duas forças opostas entre si por sua própria natureza. O primeiro encontro entre elas foi marcado pela violência. E sua coexistência, ou seja, a exploração do nativo pelo colonizador foi realizada pelo impacto de uma grande variedade de baionetas e canhões. Na decolonização há, portanto, a necessidade de uma contestação total da situação colonial. Se quisermos descrever isso de forma precisa podemos recorrer ao famoso ditado: os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos “, avaliou no livro.
O documentário discute sistemas de opressão e como se manifestam na sociedade, e o racismo institucionalizado que marginaliza a população preta, afastada de seus direitos e de sua liberdade. Imagens mostram a realidade do cotidiano nas colônias africanas, enquanto trechos do livro analisam as disparidades e estudam os comportamentos.
“O homem colonizado é invejoso e o colonizador sabe muito bem disso. Quando seus olhos se cruzam, ele nota com amargura, sempre na defensiva. ‘Eles querem tomar nosso lugar’. É verdade, pois não há nativo que não sonhe ao menos uma vez ao dia em tomar o lugar do colonizador”, avalia.
Ao destacar as condições materiais, a miséria, a fome, o desalento dos habitantes dessas nações, em contraste com o colonizador, que vive bem, o filme reforça a defesa de Frantz Fanon por movimentos anticoloniais.
“Frantz Fanon: Sobre a Violência” é uma produção da Final Cut for Real e Helsinki Filmi. O filme também pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Quintas do Pensamento, 20 de novembro, às 22h.
