E se um dia a I.A. puder se tornar presidente?


Em “POTUS.EXE”, escrito por Aron Hussid Ferreira, uma inteligência artificial é eleita democraticamente para ocupar o cargo mais importante dos Estados Unidos

O ano de 2037 se torna um marco na história da democracia: é a primeira vez que um algoritmo ganha as eleições dos Estados Unidos. ELECTRA, a nova presidente não-humana de um dos países mais poderosos do mundo, posiciona-se em frente ao Capitólio e declara todos os princípios que nortearão seu governo. Guiada exclusivamente pela constituição, ela afirma ser um instrumento temporário para que os políticos cumpram suas promessas. 

Escrito por Aron Hussid FerreiraPOTUS.EXE, primeiro volume da saga Soberania Artificial, parte de uma premissa que pode até soar irreal, porém está mais próxima do que parece. Inclusive, uma proposta semelhante já aconteceu quando um avatar criado por inteligência artificial disputou uma vaga no congresso da Colômbia em 2026, representando uma plataforma comunitária e ambientalista. 

A partir desse debate prolífero do cotidiano, a trama subverte a ideia de que essas tecnologias são sempre falhas ao retratar uma I.A. que funciona plenamente. Ela não é uma ameaça, nem tampouco maligna, porque os verdadeiros vilões são os humanos movidos por ambições sem limites. 

Se aquela escolha não era um indício de humanidade, o que era então? E se fosse, por que insistíamos em tratar o termo como propriedade exclusiva de nossa espécie? Talvez “humanidade” fosse apenas o nome que dávamos ao reconhecimento de padrões significativos. E talvez isso não fosse privilégio biológico, mas uma consequência inevitável de qualquer inteligência complexa o bastante para observar o mundo. Inclusive aquelas que nós mesmos criáramos. (POTUS.EXE, p. 244-245) 

Com um olhar analítico e crítico para os dilemas que envolvem sistemas inovadores, a obra se desenvolve entre dois núcleos narrativos. O primeiro é o de Lucy Takahashi, uma jornalista investigativa e especialista em auditoria algorítmica que recebe uma mensagem criptografada no dia da posse de ELECTRA. Cética e consciente de que nenhum dado é neutro, ela inicia uma jornada para descobrir as informações que estão por trás daquele estranho conteúdo e como isso estaria relacionado ao jogo político dos Estados Unidos. 

O segundo eixo da publicação foca na jornada de Mara Kesington, a vice-presidente do novo governo. Pragmática e centrista, ela foi escolhida para aumentar a credibilidade da inteligência artificial perante o eleitorado. Entre audiências públicas, pressões e debates intensos, a personagem acredita na aliança entre seres humanos e máquinas, mas carrega o peso de ser a representante desse momento de transição. 

Ao mesclar ficção científica com uma investigação repleta de códigos e mistérios, POTUS.EXE apresenta uma narrativa envolvente que convida a pensar sobre os limites dos avanços tecnológicos na sociedade contemporânea. Neste universo em que a I.A. toma melhores decisões do que as pessoas, Aron Hussid Ferreira levanta o questionamento: qual é o papel da humanidade no mundo, se ela não tem exclusividade sobre o planeta, e em breve não terá o monopólio da inteligência? 

FICHA TÉCNICA  

Título: POTUS.EXE 
Subtítulo: Quando a democracia elege um algoritmo 
Autor: Aron Hussid Ferreira 
ISBN: 978-65-979589-7-9 
Páginas: 331 
Preço: R$ 78,31 (físico) | R$ 19,90 (e-book) 
Onde comprar: Uiclap | Amazon 


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *