​Documentário inédito sobre as Cozinhas Solidárias será lançado no Youtube, cinco anos após iniciativa nascer para o combate à fome


 

Vem Comer Com a Gente – Cozinhas Solidárias acompanha cinco personagens em diferentes regiões do Brasil, e mostra como as cozinhas, criadas para garantir alimentação gratuita e saudável, também se tornaram espaços que hoje influenciam a política, a economia, a saúde e a cidadania

 

Cinco anos depois do surgimento das primeiras Cozinhas Solidárias, o documentário Vem Comer com a Gente – Cozinhas Solidárias
 

percorre diferentes regiões do Brasil para contar como uma iniciativa criada em meio à pandemia, pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), e passou a integrar uma política pública nacional de combate à fome.

A produção será lançada em 18 de setembro no Youtube, onde ficará disponível até 2 de outubro no canal do filme na plataforma. Após esse período, a produção vai percorrer um circuito com foco na Distribuição de Impacto, quando as exibições ocorrem em espaços estratégicos para públicos de interesse, e festivais de cinema.

 

Dirigido por Thomaz Pedro, o documentário parte do acesso à alimentação saudável e gratuita nas Cozinhas Solidárias, mas olha também para tudo o que acontece ao redor do prato de comida. A câmera segue pessoas que cozinham, comem, trabalham, se encontram e se organizam nesses espaços. O resultado é

um rico retrato sobre as diferentes funções que as cozinhas também passaram a exercer nos territórios onde estão inseridas.

“Acompanho as Cozinhas Solidárias desde o começo. Estive ali com uma câmera quando as primeiras experiências surgiram, durante a pandemia, e vi esse projeto crescer. O filme nasce também dessa vontade de mostrar para mais gente uma realidade que nem todos conhecem e que venho acompanhando há anos”, diz o diretor.

 

Da pandemia à política pública

A história retratada pelo filme começou em 2021, durante a crise sanitária da Covid-19. Enquanto uma parcela da população podia permanecer em casa,

trabalhadores das periferias continuavam se deslocando pela cidade e muitas famílias enfrentavam dificuldades para garantir a própria alimentação. Foi nesse contexto que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) criou suas primeiras Cozinhas Solidárias.

 

Esses espaços passaram a funcionar nas periferias das cidades do Brasil, inicialmente organizados pelo movimento social. No entanto, a iniciativa cresceu e ultrapassou a atuação do próprio MTST. Em 2023 se tornou uma importante política pública nacional de combate à fome.

Atualmente, são 1.406 cozinhas habilitadas e 221 entidades gestoras do Terceiro Setor credenciadas. Dessas, 470 cozinhas recebem apoio financeiro no âmbito do Programa, via parcerias formalizadas com 20 entidades gestoras. Já foram distribuídas, até a mais recente contagem, aproximadamente 13 milhões de refeições. Cerca de 21 toneladas de alimentos da agricultura familiar foram

destinados às Cozinhas Solidárias.

 

Cinco personagens, cinco maneiras de enxergar uma cozinha

O filme parte da função mais urgente das Cozinhas Solidárias – enfrentar a fome

– e mostra também como, no dia a dia, elas se tornam pontos de encontro, de acolhimento e cuidado, de formação política e construção coletiva.
 

“Ao nos aproximarmos desses personagens, a gente entende que as Cozinhas Solidárias, em primeiro lugar, são essenciais no combate à fome no Brasil, mas são muito mais do que isso. Elas são espaço de solidariedade, de afeto e de cidadania”, afirma Thomaz.

Essas nuances aparecem na história dos cinco personagens em cidades como Rio de Janeiro, Santo André (SP) e Santa Isabel (SP), Maceió e Porto Alegre. A intenção é mostrar não apenas quem prepara as refeições, mas também quem come, trabalha, participa das atividades e se organiza a partir das cozinhas.

 

No Rio de Janeiro, Jonathan é entregador de aplicativo e encontra na cozinha mais do que uma refeição: ali, trabalhadores se alimentam, descansam, se encontram e se articulam para discutir condições de trabalho e organizar

mobilizações. Na trilha, um funk certeiro resume o cenário: “E o algoritmo virou patrão / Sem rosto, sem alma, sem negociação”.

 

Em Maceió (AL), Mila já conheceu a fome e hoje está do outro lado: alimenta outras pessoas. A cozinha onde atua é também o coração de uma ocupação do MTST, reunindo atendimento de saúde, atividades com crianças, capoeira, formação e agrofloresta. “Eu digo que é um tripé, é a segurança alimentar, é a

cidadania que a gente desenvolve, e é o fortalecimento da democracia”, resume.

 

Em Santo André (SP), Patrícia é mãe solo e chefe de família, uma experiência que, segundo o IBGE (Censo 2022), dialoga com 7,8 milhões de mulheres

brasileiras que vivem sem cônjuge e com filhos. No filme, a cozinha atravessa a rotina dela e das crianças como lugar de alimentação, convivência, apoio e pertencimento. Nas Cozinhas também acontecem cultos evangélicos, onde Patrícia vai praticar a sua fé. “É um lugar de carinho, amor. Compreende as pessoas, né? Aqui se entende o lado de todo mundo”, diz Patrícia no filme.

 

Em Santa Isabel (SP), Fernando leva a história para o campo. Agricultor familiar e fornecedor das Cozinhas Solidárias, ele mostra o caminho que

antecede o prato: quem planta, colhe, organiza a produção e precisa de canais de compra para continuar vivendo da terra. A cozinha aparece, assim, também como elo de uma cadeia que movimenta a economia por meio dos pequenos produtores.

 

Em Porto Alegre (RS), Lili está do lado de quem faz a cozinha acontecer todos os dias. O espaço acolhe pessoas em situação de rua e cria vínculos que podem ir da refeição à participação no próprio trabalho da cozinha – além de dar novo sentido à vida de quem saiu da vulnerabilidade para o trabalho voluntário no local.

 

Mostrar essa pluralidade na prática foi uma forma de evitar transformar

explicações em aula. Por isso, Thomaz privilegia a observação do cotidiano, os gestos, os deslocamentos e o trabalho, deixando que as ações revelem por si só o sentido das cozinhas.

 

Sinopse

Em diferentes regiões do Brasil, cinco pessoas têm suas vidas atravessadas pelas Cozinhas Solidárias, política pública de combate à fome. Uma cozinheira acolhe pessoas em situação de rua; uma faxineira, mãe de quatro, encontra ali alimento e fé; uma militante cozinha enquanto aguarda sua moradia; um entregador se alimenta e luta por melhores condições de trabalho e um agricultor familiar

produz alimentos para as cozinhas. Nas Cozinhas Solidárias, preparar e

compartilhar comida também é construir vínculos, fortalecer lutas e imaginar, juntos, outras formas de viver e transformar o país.


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