​9ª edição da Ciranda de Filmes acontece de 10 a 13 de setembro, no Espaço Petrobras de Cinema


Programação conta com mais de 50 filmes, além de atividades nas Fábricas de Cultura de São Paulo e no Centro Cultural Casarão, em Campinas. Primeira mostra de cinema do país dedicada às infâncias, juventudes e educação promove encontros de sensibilização, formação e mobilização. A entrada é gratuita

Após um intervalo de dois anos dedicados à pesquisa, a Ciranda de Filmes está de volta. Reconhecida como a primeira mostra cinematográfica do país dedicada às infâncias, juventudes e educação, o evento chega à 9ª edição com o tema “Infância: força regeneradora da vida – reacender sonhos, cultivar o comum e regenerar nossa forma de estar no mundo”. A abertura para convidados acontece em 9 de setembro, e a programação gratuita para o público será realizada de 10 a 13 de setembro, no Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo.

Além da curadoria de filmes, a Ciranda promove encontros de sensibilização, formação e mobilização em torno de questões ligadas às infâncias, juventudes e educação. Ao reunir diferentes públicos e campos do conhecimento, o evento busca ampliar e sensibilizar o olhar, fortalecer vínculos e impulsionar ações coletivas em defesa dos direitos, das formas de expressão e da potência imaginativa de crianças e jovens.

Mais de 50 produções brasileiras e internacionais, entre longas e curtas-metragens, integram a programação, que inclui ainda rodas de conversa, oficinas e vivências.

Uma das novidades é a cocuradoria das atividades formativas por Renata Meirelles e Lourdes Atié, em diálogo com os filmes e com a curadoria de Patrícia Durães e Fernanda Heinz Figueiredo. Idealizadora do Território do Brincar, Renata pesquisa e registra as culturas infantis há mais de duas décadas; socióloga e educadora, Lourdes tem uma longa trajetória na formação de professores e gestores. Ambas vieram somar às reflexões e perspectivas de uma mostra de cinema que pretende ir além dos filmes.

“É muito bom voltar a apresentar a Ciranda e reunir um público tão plural em torno do cinema. A programação diversa sempre foi uma marca da mostra, mas o que nos mobiliza é a possibilidade de transformar cada sessão em um espaço de encontro, escuta e reflexão coletiva sobre questões urgentes que atravessam as infâncias, as juventudes e a educação”, comenta Patrícia Durães.

“Os filmes são o ponto de partida de uma experiência que se amplia nas rodas de conversa, oficinas, vivências e exposições. Ao colocar em diálogo obras cinematográficas de diversos cantos do mundo, diferentes saberes e práticas artísticas e educativas, buscamos sensibilizar o público e mobilizar a sociedade em torno do cuidado compartilhado com crianças e jovens e da valorização de quem cuida e educa, sem esquecer da criança que habita em cada adulto. Nosso desejo é fortalecer uma comunidade sensível, que reconheça na experiência artística uma força de transformação social”, complementa Fernanda Heinz Figueiredo.

Destaques nacionais da programação de filmes

A produção brasileira ocupa um lugar de destaque na 9ª edição da Ciranda. A abertura oficial, em sessão para convidados, será com Papaya, animação dirigida por Priscilla Kellen que vem conquistando reconhecimento no circuito de festivais. Primeiro longa de animação brasileiro selecionado para o Festival de Berlim, o filme recebeu, no Festival Internacional de Animação Lanterna Mágica, os prêmios de Melhor Roteiro, Melhor Trilha Musical e o Prêmio da Imprensa. Sem diálogos, a obra acompanha uma pequena semente de mamão que sonha voar e, ao tentar escapar do enraizamento, descobre a força transformadora das próprias raízes.

No encerramento, a Ciranda exibe Do Colo da Terra, documentário dirigido por Renata Meirelles e David Vêluz, que integra o projeto Território do Brincar. O filme mergulha no cotidiano das crianças dos povos Guarani Kaiowá, Guarani Ñandeva, Baniwa e Kĩsêdjê, revelando modos de viver a infância nos quais espiritualidade, brincadeira, aprendizagem, vida comunitária e pertencimento à Terra estão profundamente entrelaçados.

Destaques internacionais

Entre os destaques internacionais deste ano, estão o documentário indicado ao Oscar A House Made of Splinters, de Simon Lereng Wilmont, retrato sensível de crianças acolhidas temporariamente em um orfanato especial no leste da Ucrânia, em meio à guerra e à incerteza; a delicada ficção francesa A Chave para a Liberdade (La clé des Champs), de Claude Nuridsany e Marie Pérennou, diretores de Microcosmos, na qual duas crianças encontram em um lago um refúgio e descobrem um universo vivo e mágico; e DJ Ahmet, de Georgi M. Unkovski, sobre um adolescente da Macedônia do Norte que encontra na música um caminho entre seus desejos e as expectativas de uma comunidade conservadora, todos inéditos dos cinemas brasileiros.

A seleção traz ainda dois clássicos: o espanhol Língua das Mariposas, de José Luis Cuerda, sobre a relação entre um menino e seu professor às vésperas da Guerra Civil Espanhola; e Rue Cases-Nègres, de Euzhan Palcy, premiado com o Leão de Prata e o prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza de 1983, que acompanha um menino criado pela avó em uma plantação de cana-de-açúcar na Martinica e aborda a educação como possibilidade de emancipação.

A programação inclui ainda sessões seguidas de debates com convidados. Entre elas, a ficção alemã Babystar, de Joscha Bongard, sobre a superexposição de crianças e jovens nas plataformas de redes sociais; o documentário Amora, de Ana Petta, ainda inédito nos cinemas, é ponto de partida para uma conversa sobre o direito das crianças à cidade, à natureza e ao brincar; e o chileno Cien Niños Esperando un Tren, de Ignacio Agüero, que registra a oficina de cinema conduzida por Alicia Vega com crianças de um bairro popular de Santiago durante a ditadura de Pinochet.

Rodas de conversas e vivências

As rodas de conversa articulam temas centrais da programação. Infâncias em tempos de emergência reflete sobre os impactos das guerras, deslocamentos, crises climáticas e violências na vida de crianças e jovens; O brincar que regenera o mundo aborda o brincar como resiliência e reinvenção coletiva; e Me ensina a olhar? Infâncias e juventudes no cinema brasileiro reúne quatro cineastas para discutir a representação de crianças e jovens nas telas e a formação de um olhar mais atento, crítico e diverso.

Em parceria com o CineSesc, a Ciranda realiza no recém-aberto Anexo do cinema a oficina Cinema como laboratório sensível: educação, subjetividade e invenção de mundos, conduzida pelo cineasta, professor e pesquisador Cezar Migliorin. Partindo da exibição e do diálogo entre imagens, o encontro convida os participantes a investigar como o cinema pode abrir na educação espaços de escuta, deslocamento do olhar e invenção de outras formas de perceber e habitar o mundo. A participação será gratuita, com vagas limitadas e mediante inscrição prévia.

O saguão do Espaço Petrobras de Cinema também integra a programação como espaço de convivência, criação e experimentação. O espaço receberá a exposição Tecendo Saberes, de Marie Ange Bordas, e uma mostra de obras da artista Renaya Dorea, autora da ilustração que deu origem à identidade visual desta edição da Ciranda.

Entre as vivências, o Auto dos Barquinhos, conduzido por Roquinho, do Carretel Cultural, convida crianças, jovens e adultos a criar barquinhos com elementos da natureza, que formarão uma instalação coletiva; e a artista e pesquisadora Leila Garcia propõe uma experiência voltada ao corpo, ao movimento, à percepção e à presença, reafirmando a brincadeira como forma de aprendizagem e relação.

Além das salas de cinema

Para ampliar o acesso e aproximar a programação de diferentes territórios e públicos, parte das atividades circula por Fábricas de Cultura de São Paulo e pelo Centro Cultural Casarão, em Campinas.

Após a etapa presencial, parte da seleção brasileira ficará disponível gratuitamente na plataforma Itaú Cultural Play, de 14 de setembro a 11 de outubro, ampliando o alcance da mostra para públicos de todo o país.

Desde sua primeira edição, em 2014, a Ciranda já exibiu mais de 400 filmes brasileiros e internacionais, de diferentes formatos e gêneros, promoveu quase 100 atividades de formação e alcançou mais de 39 mil pessoas de diversas faixas etárias.

Para além dos dias de exibição, o trabalho se desdobra em pesquisa curatorial continuada, produção de textos e conteúdos nas seções Olhares e Coleções, e construção de um acervo vivo de filmes, publicações, experiências, pensadores e projetos. Assim, a Ciranda vem se consolidando como uma plataforma permanente de produção de conhecimento dedicada às infâncias, às juventudes e à educação em diálogo com as artes.

A 9ª edição da Ciranda de Filmes é realizada pela Ludus Vídeos e Cultura, com patrocínio do Itaú, por meio dos mecanismos de incentivo fiscal federal da Lei Rouanet, e do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e do Programa de Ação Cultural – ProAC, e apoio da Fundação José Luiz Setúbal.

SERVIÇO

9ª Ciranda de Filmes

Abertura para convidados: 9 de setembro

Programação presencial e gratuita: 10 a 13 de setembro, no Espaço Petrobras de Cinema – Rua Augusta 1475, Consolação – São Paulo

Programação online: 14 de setembro a 11 de outubro, na plataforma Itaú Cultural Play

Programação presencial no Centro Cultural Casarão, em Campinas: 19 e 20 de setembro

Programação presencial nas Fábricas de Cultura, em São Paulo: 25 e 26 de setembro 

Entrada gratuita


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