Xamã e Edvana Carvalho compartilham memórias, ancestralidade e novos projetos no “Espelho – 20 Anos Depois”


Episódio inédito vai ao ar em 6 de março, às 22h, no Canal Brasil, com reflexões sobre origem, arte, representatividade e futuro

Lázaro Ramos, Edvana Carvalho e Xamã. Créditos: Ana Paula Amorim

FOTOS PARA IMPRENSA

O sexto episódio de “Espelho – 20 Anos Depois”, apresentado por Lázaro Ramos, reúne Xamã Edvana Carvalho em uma conversa sobre as transformações vividas ao longo das últimas duas décadas. No programa, que vai ao ar no dia 6 de março, às 22h, no Canal Brasil, os convidados revisitam suas trajetórias, falam sobre identidade, formação artística, conquistas recentes e os caminhos que desejam trilhar a partir de agora.

Ao ser instigado a lembrar de sua vida há 20 anos, Xamã retorna a Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. “Eu ainda estava tentando encontrar um caminho. Não tinha uma profissão em mente, mas sonhava em ter algum lugar. Sempre fui apaixonado por poesia e cinema, mas aquilo parecia muito distante”, afirma. Ele conta que começou a trajetória artística em 2014, enquanto trabalhava como vendedor. “No tempo vago da loja eu escrevia rimas para vender produtos, misturava com a realidade e com referências de cinema.”

O contato com as batalhas de rima foi decisivo. “Na primeira vez que participei já cheguei à final e fiquei viciado. Comecei a escrever mais sobre mim.” Entre o fim de 2014 e o início de 2015, decidiu deixar o emprego para investir na música. “Pedi a rescisão e resolvi lançar um disco. Foi um período difícil, mas importante, quase uma faculdade. Em 2016 surgiram mais oportunidades e, em 2017, explodiu.”

Sobre a própria origem, Xamã detalha a ascendência indígena e negra da família. “Minha bisavó era de Coroa Vermelha, na Bahia, meu avô trabalhava em fazenda no sul do estado. Depois que comecei a fazer mais sucesso, fui buscar essas histórias e regar essa raiz.” Ele afirma que passou a refletir sobre como incorporar essa ancestralidade ao nome artístico e à atuação pública. “Quis visitar povos diferentes e entender como usar minha voz para dar voz a outras pessoas. Tudo o que aprendi com o rap também tento compartilhar com os indígenas e com todo mundo.”

Ele também comenta a entrada no audiovisual. “Sempre fui fã de cinema. Nos clipes, eu estudava atuação. Quando cheguei ao cinema, comecei a entender técnica de lente e iluminação. Trabalhar com grandes atores foi como ir para o Real Madrid”, brinca.

Durante o episódio, Lázaro Ramos relembra que conhece Edvana Carvalho desde os 15 anos, quando ambos integravam o mesmo grupo de teatro, e afirma que sempre citava o nome dela e de outros integrantes do Bando de Teatro Olodum ao ser perguntado sobre referências. Edvana responde: “Eu lembro de você criança, passando rápido numa oficina. Vi seu teste e pensei: ‘se ele é assim agora, imagina quando crescer’.”

Edvana também comenta a parceria com Xamã em cena na novela Renascer (2024), da Globo. “Havia uma celebração de nos vermos na tela. Esse corpo preto e esse corpo indígena no horário nobre eram um desafio e uma tomada de lugar.” Ao recordar o impacto do filme “Ó Paí, Ó” há cerca de 20 anos, ela afirma que a produção ampliou o alcance do grupo. “Ali começaram a olhar para a nossa arte. De lá para cá, esse movimento de trazer pessoas pretas e periféricas para a televisão ficou maior e mais forte.”

Sobre o início da carreira, Edvana volta à escola pública em São Caetano, na Bahia. “Eu estava na 8ª série quando fundaram um grupo de teatro. Saí do basquete e fui para o palco. Passei quatro anos ali.” Depois, seguiu para mais uma formação onde conheceu artistas que integrariam o Bando de Teatro Olodum e aprofundou os estudos em dança e canto. “Foi minha primeira ligação com a dança afro. Descobri também que meu corpo era dançante e ancestral.” Ela destaca que, no Pelourinho, artistas pretos e periféricos buscavam afirmar o valor cultural da comunidade.

O episódio também aborda a presença de Xamã no Grammy de 2024, quando venceu na categoria de Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa por “Cachimbo da Paz 2”. “Foi um sonho. Demorou para cair a ficha. Lembrei de tudo o que passei. Foi muito marcante”, afirma, ao comentar ainda o significado de usar um cocar na cerimônia.

Ao falar sobre a chegada aos 50 anos, Edvana define o momento como ambivalente. “É cheio de coisas boas e ruins, mas há uma liberdade maior. Você escolhe o que quer fazer, com quem quer andar e trabalhar.”

No encerramento, os dois projetam o futuro. Xamã afirma que quer produzir filmes e criar uma produtora própria, mantendo a música como eixo central. Edvana deseja escrever um longa-metragem e ampliar o espaço para protagonistas mulheres pretas de 50, 60 anos no cinema brasileiro, além de acompanhar o crescimento dos netos.

Espelho – 20 Anos Depois (12X25’) – Inédito

Horário: Sexta, dia 6/03, às 22h 

Alternativos: 8/03, às 10h30; 10/03, às 14h30; e 11/03, às 19h

Episódio: Xamã e Edvana Carvalho – Temp.16 Ep6    

Direção: Lázaro Ramos

Classificação: Livre

Sinopse: Xamã relembra as suas raízes e fala sobre ancestralidade e seu amor pela música e pelo cinema. Edvana Carvalho aborda a liberdade dos 50 anos e recorda como a arte entrou na sua vida.


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