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Documentário inédito do Jornalismo da Globo vai ao ar no dia 25 de março, após o BBB |
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O que acontece quando o celular se torna companhia, conselheiro e ameaça ao mesmo tempo? “Anatomia do Post” mergulha nesse universo para mostrar o preço real da vida vivida diante das telas. O documentário inédito do Jornalismo da Globo, que será exibido na TV Globo nesta quarta-feira, dia 25, após o BBB, investiga como o uso excessivo de celulares e redes sociais tem afetado a saúde mental, as relações pessoais, o desempenho escolar e até a segurança de crianças e adolescentes brasileiros.
A narrativa é costurada pelos próprios posts dos personagens. Ao longo de vários meses, a equipe do jornalismo da Globo acompanhou famílias que enfrentam dependência digital, vício em jogos, quadros de depressão e a pressão constante por desempenho online.
“Ao longo do filme, mostramos na prática os efeitos do uso do celular por crianças e adolescentes sem supervisão. A narrativa vai desvelando camadas cada vez mais profundas — e houve momentos das gravações que foram realmente difíceis”, revela Eliane Scardovelli, diretora do documentário. “O objetivo, porém, não é demonizar a tecnologia ou as redes sociais, mas provocar uma reflexão sobre formas mais saudáveis de uso. Afinal, adolescentes são ainda mais vulneráveis aos efeitos da exposição excessiva, já que seus cérebros estão em pleno processo de formação”, completa.
Entre as histórias mostradas está a de Manuella, de 14 anos, que se tornou influenciadora ainda na infância e hoje tem mais de dois milhões de seguidores no TikTok. Incentivada pela mãe, Ethienne, também criadora de conteúdo, ela vive sob a exigência permanente de se manter ativa nas redes. Do outro lado da tela, Melissa, de 15 anos, fã de Manuella desde pequena, desenvolveu problemas de autoestima ao se comparar com a influenciadora e com os padrões disseminados online. O documentário acompanha ainda os irmãos Enzo e Luca, que lidam com o vício em jogos e tiveram o rendimento escolar afetado pelo uso excessivo do celular.
O Brasil está entre os países mais hiperconectados do mundo: em 2023, havia cerca de 230 milhões de smartphones em uso, número superior à população total. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2021 apontou que 57% dos adolescentes entre 15 e 17 anos passam mais de quatro horas por dia conectados e que 43% já tiveram contato com conteúdos nocivos, como violência, pornografia e discursos de ódio.
A produção também traz depoimentos de ex-pesquisadores da Meta, que revelam como algoritmos são desenvolvidos para estimular permanência, moldar emoções e influenciar comportamentos. Participam ainda especialistas, moderadores e ex-moderadores de conteúdo, o pediatra Daniel Becker e a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro.
O documentário faz ainda um alerta para situações extremas, como tentativas de suicídio, e para a proliferação de grupos de ódio em plataformas abertas como Discord e Roblox, onde jovens são expostos a ambientes que escapam ao controle das famílias e das próprias redes sociais.
“Esse é um projeto que busca sensibilizar famílias por meio de histórias pessoais, que geram identificação,” diz Caio Cavechini, que assina o roteiro do documentário. “Mas também trazemos os depoimentos de quem vive essa engrenagem por dentro, inclusive lá no Vale do Silício, a sede das grandes empresas de tecnologia. São relatos que nos ajudam a ver as histórias pessoais por outras lentes”, completa.
O documentário “Anatomia do Post” tem direção de Eliane Scardovelli, que também assina o roteiro com Caio Cavechini, coordenação de produção de Clarissa Cavalcanti, fotografia de Caue Angeli, montagem de Cláudio Guterres e Vivian Munn e produção de Eliane Scardovelli, Mayara Teixeira, Renata Matarazzo, Caio Cavechini e Mateus Cerqueira. A produção executiva é de Fátima Baptista.
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