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Documentário refaz história da música brasileira a partir do olhar do produtor (Crédito:Divulgação/Curta!)
Controverso, criativo e impulsivo, Ezequiel Neves atuou como jornalista, produtor musical, compositor e ator e colecionou histórias passionais ao longo da vida. Entre as mais famosas e polêmicas, destacam-se as relações que teve com Rita Lee e com Cazuza. A carreira do artista mineiro e suas muitas “mentiras sinceras” conduzem “Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves”, que estreia com exclusividade no Curta! e está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários.
Produzido pela Giros filmes e dirigido por Rodrigo Pinto, o filme mistura documentário e ficção, usando depoimentos de verdade e cenas imaginadas. Em cenas do filme, Ezequiel fala sobre Os Mutantes, diz que Rita Lee não sabia cantar e se emociona com a morte de Cazuza: link.
A produção não esconde os aspectos mais provocadores da vida de Ezequiel, abordando drogas, sexualidade, álcool e comportamentos considerados transgressores. Há imagens fortes que incluem nudez em fotografias e falas de conteúdo erótico e sexual, e uso de drogas.
Logo no início da obra, o público recebe a advertência que dá o tom da produção. “Atenção! Esse filme foi feito com uso de Inteligência Artificial e outras drogas”. Para reconstituir a trajetória do protagonista, o diretor reuniu mais de 150 horas de entrevistas inéditas e um vasto acervo documental. Ele utilizou recursos como arquivos falsos, trechos de filmes inventados e entrevistas recriadas por meio de inteligência artificial.
Nascido em Belo Horizonte, Ezequiel Neves deixou a cidade em 1965, em busca de experiência culturais mais completas em São Paulo e no mundo. Considerado um dos pioneiros na cobertura jornalística de rock no Brasil, foi uma figura central na descoberta do Barão Vermelho e Cazuza na década de 1980. No documentário, ele conta que descobriu o grupo numa fita cassete na casa de Nelson Motta e se apaixonou pelo som. Depois acabou tornando-se também um mentor de Cazuza.
“Roubei a fita e fui sequestrado por aquela fita”, conta Ezequiel.
Na parte ficcional, Emilio Neto foi o ator escolhido para interpretar o jornalista, que morreu de câncer, em 2010. No filme, o próprio Ezequiel Neves é o único que aparece nas entrevistas. O restante dos entrevistados contribuem por meio de depoimentos de voz, enquanto suas falas são acompanhadas por imagens de arquivo, fotografias e documentos. Dessa forma, o filme reconstrói a trajetória de Ezequiel por meio de um rico material histórico e audiovisual. Entre os nomes Nelson Motta, Guto Graça Mello, Neville D’ Almeida, Roberto de Carvalho, Roberto Frejat, Maurício Kubrusly e Lucinha Araújo são alguns dos nomes que contribuíram com declarações sobre o artista. Segundo Lucinha, Ezequiel e Cazuza eram almas gêmeas. Os dois dividiram a autoria de sucessos como “Exagerado” e “Codinome Beija-Flor”.
“Eu gostava muito do Ezequiel, mas ele provocou um lado horrível do Cazuza. Ao mesmo tempo em que culturalmente ele foi maravilhoso para o Cazuza, esse lado de maluquice ele acirrou e o Cazuza, claro, adorava, né”, ressalta.
De acordo com Frejat, mesmo sem ter conhecimento técnico sobre música, Ezequiel tinha talento para reconhecer sucessos. “A gente gravava e falava, Zeca, vem ouvir. Se ele dançasse e curtisse, estava aprovado. Quando ele começava a tentar dançar e o negócio não funcionava, pode voltar para a prancheta, vai estudar de novo!”, lembra Roberto Frejat.
“Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves” pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br). A estreia no canal é no dia temático Segundas da Música & Cinema, 12 de outubro, às 22h.
