Lígia Vargas visita mosteiros, torres e construções medievais para investigar como arquitetura, fé e poder ajudaram a formar o país

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Rio de Janeiro, 8 de setembro de 2026 — Para entender Portugal, é preciso olhar para além dos grandes palácios, dos azulejos e das paisagens que costumam aparecer nos roteiros turísticos. É esse movimento que dá contexto à primeira temporada da série “Fora do Mapa”, cujo sexto e último episódio vai ao ar nesta terça-feira (8), às 20h30, no Travel Plus. Na viagem final, Lígia Vargas percorre a Rota do Românico, no norte do país, em busca das marcas de um Portugal medieval que ainda permanece preservado em mosteiros, igrejas, torres e monumentos.
Ao longo do caminho, cada construção ajuda a revelar um pouco de como se vivia e se organizava aquele território. A arquitetura revela relações de poder, formas de trabalho, crenças e modos de organização da vida medieval. É um tipo de leitura que atravessa o trabalho de Lígia e tem relação direta com sua formação em História da Arte: observar não apenas o que está diante dos olhos, mas buscar o contexto e as pessoas por trás daquilo que permaneceu.
Criada em 1998 para organizar e valorizar o patrimônio medieval da região, a Rota do Românico reúne atualmente 58 monumentos distribuídos por 12 municípios dos vales do Sousa, Douro e Tâmega. São mosteiros, igrejas, pontes, memoriais, castelos e torres que ajudam a contar uma história anterior aos símbolos mais conhecidos de Portugal.
A viagem começa pelo Mosteiro de Travanca, ligado a uma das famílias nobres mais influentes do norte do país. Durante séculos, instituições como aquela foram muito mais do que espaços religiosos: guardavam documentos, controlavam terras e atividades agrícolas e ocupavam uma posição importante nas relações de poder. Essa história também aparece nos detalhes da arquitetura, como nos capitéis, que reúnem imagens religiosas e símbolos reconhecidos pela comunidade.
É também em Travanca que o programa se aproxima de uma questão central para entender a região: a formação de Portugal não aconteceu apenas pelas decisões dos reis. As grandes famílias e populações que ocupavam aquele território tiveram papel importante no processo que levou à criação do reino português. A região dos vales do Tâmega, Sousa e Douro, próxima de Guimarães, esteve no centro dessa história.
Em Santa Maria de Pombeiro, diferentes épocas convivem em uma mesma construção. Elementos medievais permanecem ao lado de intervenções feitas séculos depois, mostrando que o patrimônio não é uma imagem congelada do passado, mas resultado de transformações, perdas e adaptações. Marcas deixadas nas pedras pelos trabalhadores que participaram da construção também revelam aspectos da organização do trabalho na Idade Média.
“Essa possibilidade da gente caminhar e tocar locais que as pessoas tocavam e caminhavam há 400, 500 anos me encanta. Então, quando a gente vê uma construção dessas, não está olhando só para fé, está olhando para uma estrutura real de poder medieval”, conta a apresentadora durante a visita a Santa Maria de Pombeiro.
Na Torre de Vilar, o percurso mostra outra dimensão dessa organização social. Construída como residência fortificada de uma família nobre, a torre não servia apenas para proteção: sua presença na paisagem e altura também comunicavam autoridade e prestígio. “Na Idade Média, altura significava influência e poder. Quanto mais alta fosse a estrutura daquela instituição, mais importante ela era. Porque antes das grandes navegações e palácios, Portugal era isso aqui, pedra, território e vigilância”, resume Lígia.
A última parada é Freixo de Baixo, conjunto monástico fundado antes de 1120, onde agricultura, água, conhecimento e religiosidade faziam parte de uma mesma paisagem. No local, o episódio destaca não apenas a arquitetura, mas também os sons, caminhos e vestígios que ajudam a imaginar como aquele espaço era vivido.
Enquanto aproxima essas histórias do presente, o programa também incorpora a experiência de Lígia em sala de aula. Professora durante mais de 15 anos, ela leva para a apresentação do programa a prática de traduzir temas complexos para diferentes públicos, algo que se reflete na forma como “Fora do Mapa” conecta história, patrimônio e cultura ao cotidiano.
Ao longo da temporada, esse olhar guiou o percurso por Lisboa, Alentejo, Douro, Porto e Guimarães. No encerramento, a Rota do Românico leva a viagem ainda mais ao passado, até um período anterior ao império português, quando se definiam relações de poder, formas de ocupar o território e elementos de uma identidade que atravessaria os séculos.
“Porque para conhecer verdadeiramente um lugar, às vezes é preciso sair do centro, diminuir o passo e aprender a olhar para aquilo que quase ninguém vê, pois é justamente aí, fora do mapa, que um país revela algumas de suas histórias mais profundas”, conclui Lígia.
Informações do programa
Idealizado e apresentado por Lígia Vargas, “Fora do Mapa” convida o público a descobrir destinos por meio das tradições locais, do modo de vida de seus habitantes e da gastronomia, revelando histórias e experiências que passam despercebidas e que não estão nos roteiros turísticos convencionais. Com seis episódios de 30 minutos, a primeira temporada passa por Lisboa, Alentejo, Douro, Porto, Guimarães e trechos da Rota do Românico, explorando patrimônios históricos, experiências gastronômicas e personagens locais sob uma nova perspectiva.
“Fora do Mapa” vai ao ar às terças-feiras, às 20h30, no Travel Plus, primeiro canal brasileiro gratuito dedicado exclusivamente ao universo das viagens e do turismo em plataformas de TV conectada (CTV/FAST). Disponível gratuitamente na Samsung TV Plus (canal 2178), LG Channels (canal 369), TCL Channels e Roku Brasil.
Lígia Vargas é apresentadora, com formação em Comunicação Social e História da Arte, e mestre em Política e Cultura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Durante mais de 15 anos, atuou como professora em escolas públicas e no ensino superior, ministrando disciplinas de jornalismo, redação, criação, entrevista e oratória, contribuindo para a formação de novos profissionais da comunicação. Na televisão, apresentou programas esportivos em diferentes emissoras entre 2008 e 2015. Entre 2023 e 2025, esteve à frente do videocast Resenha Carioca, dedicado ao estilo de vida e à cultura do Rio de Janeiro, consolidando uma trajetória marcada pelo interesse em contar histórias, aproximar pessoas e valorizar diferentes manifestações culturais.
