Documentário inédito ‘Cadernos Negros’, de Joel Zito Araújo, resgata histórias da maior produção literária preta do Brasil



Documentário tem depoimentos inéditos de escritores como Oswaldo de Camargo (Crédito:Divulgação/Curta!)

 

Atualmente em seu 45º ano, a coletânea Cadernos Negros segue como um dos principais veículos de produção literária negra no Brasil, com contos e poemas que ajudam a debater o país. Sua história é resgatada no inédito documentário “Cadernos Negros”, que estreia com exclusividade no Curta!. O filme também pode ser assistido no CurtaOn – Clube de Documentários.
 

Viabilizado pelo Curta! através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o documentário tem direção e roteiro de Joel Zito Araújo. Com rico acervo de imagens e depoimentos inéditos, refaz a trajetória da publicação a partir de seus escritores, contextualizando os debates sociais e raciais. Nomes como Oswaldo de Camargo, Cuti, Miriam Alves e Conceição Evaristo ajudam a contar essa história, que começou em 1978, na esteira do Movimento Negro Unificado (MNU), idealizado pelo coletivo Quilombhoje.

“Nesses 45 anos de Cadernos Negros, passaram por suas páginas mais de 300 pessoas negras com seus textos. Muitas delas puderam, pela primeira vez, ter a experiência de publicar. O Caderno tem uma dinâmica que estimula a criação literária no seio da população negra”, destaca Cuti, um dos criadores dos Cadernos Negros.

 

Com o nome inspirado nos cadernos utilizados pela escritora Carolina Maria de Jesus, Cadernos Negros herda e dá prosseguimento à literatura feita por nomes como o de Luiz Gama, um dos poucos escritores pretos que não tiveram seu talento escondido e renegado. O documentário mostra como esse cenário de preconceito racial, desigualdade e violência dificultou a produção literária de pessoas negras e calou suas experiências.
 

“É um outro lugar de produzir, de pensar e criar literatura. É a partir das nossas experiências, da nossa concepção de mundo, das marcas negras que esse texto aparece. Eu não tenho nenhuma dificuldade em dizer que existe uma literatura negra, sim”, defende Conceição Evaristo.
 

O documentário reflete sobre a produção cultural dos anos 70 e 80, apresenta a participação feminina na revista, debate a violência estatal contra a população preta, entre outros temas. Na nona edição, a escritora Sônia Fátima da Conceição manifestava “o esforço sobre-humano pela integridade do Ser que a branca história covardemente esfacelou”. Hoje, Cadernos Negros segue um espaço de liberdade e resistência, dando espaço em suas páginas para talentos que enriquecem a produção cultural nacional e renovam o cenário da literatura, ampliando o debate racial.

“É uma literatura que mostra uma face do Brasil que dificilmente seria vista e reparada se não houvesse os autores negros. Quem lê os autores negros vai ter uma visão sobre a realidade do negro brasileiro em várias camadas sociais que ele nunca imaginou”, afirma o escritor Oswaldo de Camargo, um dos pioneiros do projeto.

“Cadernos Negros” é uma produção da Bang Filmes. O documentário também já pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Quintas do Pensamento, 09 de julho, às 22h.


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