Episódio debate o uso de energia nuclear por grandes países (Crédito: Divulgação/Curta!)
Classificado pelo historiador Eric Hobsbawn como “A Era dos Extremos”, o século XX foi um período de dualidades e embates em diferentes campos. Na ciência, inovações como energia nuclear suscitaram intensos debates, que reverberam até hoje, como apresenta o primeiro episódio da série inédita “Explodindo o Passado – Reflexões no Presente”, que estreia com exclusividade no Curta!. A produção pode ser vista no CurtaOn – Clube de Documentários.
Com direção de Anne Heimerl e Felicitas Sonvilla, a produção alemã tem sete episódios. Cada um deles debate assuntos como colonialismo, pacifismo, desobediência civil e mobilidade urbana. A partir de extenso arquivo de imagens, recursos gráficos para elucidar conceitos e dois narradores que apresentam e contrapõem eventos, informações e narrativas, a série olha para o passado para entender o presente.
O primeiro episódio, “Energia Nuclear, sim por favor?!”, retorna aos primeiros anos pós-Segunda Guerra Mundial. Na Primeira Conferência Internacional de Energia Atômica, em 1955, com o evento “Átomos pela paz”, uma nova perspectiva para a energia nuclear se apresentava, após os horrores provocados pelo ataque com as bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos contra o Japão, dez anos antes.
“O título do evento mostrava o quanto todos queriam acreditar que a energia nuclear só seria usada de forma pacífica dali por diante”, destaca o narrador Andy Valvur.
Embora tenha se proliferado um senso otimista de prosperidade e domínio sobre a ciência, também aconteceram manifestações que alertavam para as ameaças e os riscos de processos naturais que os humanos não poderiam controlar. Entre a empolgação com os avanços nos setores médicos e industriais, e o temor com acidentes em usinas, como o incêndio em Windscale, em 1957, e Chernobyl, em 1986, o debate prosperou. A produção resgata filmes educativos e reportagens para refletir sobre questões como política energética, aquecimento global e energia limpa.
“Em 1985, se não desenvolvermos a energia nuclear na França, teremos que importar 85% de energia. Todos sabemos que vivemos em um mundo em que isso pode ter consequências graves ou dramáticas. Logo, devemos aumentar nossa independência energética”, defendeu o então presidente francês Valery Giscard D’Estaing.
Atualmente, a França é o país membro da União Europeia com mais usinas nucleares em funcionamento. O que aumenta o debate contemporâneo sobre as consequências da mineração de urânio para a produção nuclear, reproduzindo lógicas coloniais de exploração.
“Empresas europeias, americanas e australianas foram à África para desenvolver essas minas. Era muito difícil os países africanos terem acesso a esse sistema, especialmente tendo outros problemas no momento da descolonização”, analisa a pesquisadora Gabrielle Hecht, em entrevista recuperada para a série.
“Explodindo o Passado – Reflexões no Presente”é uma produção da Looks Film & TV Produktionen. O filme pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br). A estreia no Curta! é no dia temático Sextas de História & Sociedade, 05 de junho, às 20h30.
