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Em sua estreia como repórter, Bonner trata de um dilema recorrente na vida de muitos brasileiros: o momento de decidir se é hora de mudar seu caminho profissional |
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Parar ou mudar de rumo? A dúvida acompanha trabalhadores de diferentes áreas e fases da vida. O ‘Globo Repórter’ desta sexta-feira, 1º de maio, que marca a estreia de William Bonner como repórter, percorre o Brasil ouvindo histórias de brasileiros que decidiram trocar de profissão, redirecionar a carreira ou buscar novos caminhos, depois de anos de experiência em uma mesma área. “Durante mais de 40 anos no telejornalismo diário, na condição de editor-chefe e de apresentador, eu levei ao ar inúmeros depoimentos de brasileiros, mas sempre com a intermediação de algum repórter. Desta vez, sou eu o repórter, uma experiência muito rica, que me dá imensa alegria e prazer”, conta Bonner.
Para contar a história de uma brasileira que trocou a Biologia pela confeitaria, Bonner prepara uma receita de brigadeiro tradicional da sua família, ensinada pelo seu avô materno, que passou de geração em geração até os seus filhos. “Eu como brigadeiro desde criança. Sempre comi e nunca enjoei. E essa é a receita do melhor brigadeiro do mundo”, revela o jornalista. Ao programa, Diva de Oliveira fala da sua relação com a cozinha desde a infância e mostra que mudar de carreira também pode ser um reencontro com a própria essência e suas origens. “Chegou um momento da minha vida que a profissão que eu exercia não estava mais me satisfazendo. Para mim foi tranquilo lidar, mas muitas pessoas falaram que era loucura eu largar algo seguro pelo que eu não tinha segurança de imediato”, revela Diva, que encontrou na confeitaria a felicidade e a paz que buscava.
Depois de mais de 20 anos trabalhando em banco, a pandemia levou Daniela Loss a repensar o sentido da própria vida. “Eu tinha 43 anos e pensei: ‘é isso que quero fazer pelo resto da minha vida?’. Eu não era mais a Daniela, era a Daniela do banco”, relata. Após pedir demissão, enfrentou um período difícil, marcado por depressão e saudade. A virada ocorreu em uma viagem com o marido a Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, quando descobriu o interesse por confeccionar sabonetes artesanais. Hoje, Daniela se tornou saboeira, participa de feiras, atua nas redes sociais e alcançou visibilidade com um vídeo que ultrapassa 40 milhões de visualizações.
O programa também acompanha a trajetória de José Galdino que, aos 19 anos, saiu da Paraíba rumo ao Rio de Janeiro em busca de trabalho. Começou como faxineiro em um condomínio na Zona Sul, tornou-se vigia noturno e, mais tarde, passou a dirigir um táxi durante o dia para complementar a renda. Com o trabalho, conseguiu financiar os estudos das três filhas e manter as viagens anuais para visitar a família que permaneceu na Paraíba. Hoje, relembra a decisão de deixar sua terra natal com orgulho do caminho que construiu.
Em uma igreja em Benfica, na Zona Norte do Rio, o pastor Pedro Rodrigues Santos compartilha uma convicção pessoal: para crescer é preciso vencer etapa por etapa. Depois de atuar como taxista e em um escritório de cobrança, encontrou na liderança religiosa sua principal atividade. No entanto, dois anos após se aposentar, a pandemia o impediu de pregar e de reunir a comunidade. “Foi um período muito complicado. Eu sempre estive acostumado a reunir pessoas, participar de congressos, estar em movimento”, conta. Com o apoio da esposa, Pedro fez um curso de elétrica ao fim da pandemia e iniciou uma nova etapa profissional. Atualmente, faz um curso técnico em energias renováveis.
Já o paulista Dario Gramorelli, após a aposentadoria formal, optou por se manter ativo como engenheiro e também voluntário em uma ONG. Integrante de um grupo de ex-alunos da Escola Politécnica da USP e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, ele participa de discussões sobre a redução do número de estudantes nos cursos de Engenharia no país. Dario e outros profissionais buscam caminhos para continuar atuando e contribuir com a formação das novas gerações.
Segundo William Bonner, a proposta do programa é oferecer identificação e informação ao público ao tratar de um sentimento comum. “É uma pauta de grande utilidade. É algo que eu vivi e que muitos brasileiros vivem. Em determinado momento da vida profissional, mesmo gostando do que se faz, a dúvida entre seguir ou mudar costuma aparecer”, diz.
Para aprofundar o tema, o ‘Globo Repórter’ ouve a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que explica como o cérebro responde ao longo da vida profissional e como as transformações influenciam decisões de carreira; e recebe, no estúdio, a professora e pesquisadora Janaina Feijó, da Fundação Getúlio Vargas, que analisa o mercado de trabalho e dá orientações para quem vive esse momento e planeja o próximo passo com mais segurança.
O ‘Globo Repórter’ vai ao ar nesta sexta-feira, dia 1º de maio, logo após ‘Guerreiros do Sol’.
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