‘A Filosofia de Hannah Arendt’ analisa terror totalitário a partir da vida e da obra da filósofa


Documentário traz trechos de diários e ensaios da intelectual (Crédito:Divulgação/Curta!)

 

Publicado em 1951, “Origens do Totalitarismo”, de Hannah Arendt, é um guia para entender e identificar as características de regimes totalitários. O livro tornou-se uma referência no estudo político a partir das experiências da autora, que acompanhou de perto eventos e movimentos que mudaram o século XX. O documentário “A Filosofia de Hannah Arendt”, que estreia com exclusividade no Curta!, narra sua história de vida e alerta para os perigos que ainda permanecem no século XXI. O filme também pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários.
 

Produzido por LOOKSfilm e Jeff Bieber Productions, e dirigido por Jeff Bieber e Chana Ghazit, a produção traz um rico acervo de imagens, entrevistas antigas da filósofa, além de trechos de diários, cartas e ensaios, e depoimentos de especialistas.
 

Testemunha ocular, e por vezes vítima, dos horrores e violências de guerras e conflitos sociais, Arendt recorda, em entrevista recuperada no documentário o episódio que a fez se interessar por política. O incêndio no Reichstag, em 1933, classificado por ela como atroz, seria o símbolo inequívoco da tomada do poder pelos nazistas. Ela, que estudava sobre amor, passa a analisar “forças políticas que não seguem as regras do senso comum, forças que parecem insanidade”.
 

“Perdemos nosso lar, ou seja, perdemos a familiaridade da vida cotidiana. Perdemos nosso trabalho, ou seja, perdemos a confiança de que somos úteis. Perdemos nosso idioma, ou seja, a naturalidade das reações e a expressão espontânea dos sentimentos”, escreveu em um ensaio já no exílio.
 

O documentário mostra como, nos Estados Unidos, ela tenta conscientizar as pessoas do que está acontecendo na Europa, na iminência de barbáries que iriam chocar o mundo.
 

“Para ela, a compreensão significa encarar a realidade sem preconceitos e com atenção. Precisa enfrentar a realidade se quiser resistir a ela. Pode não acontecer de novo como aconteceu na Alemanha, mas é provável que o totalitarismo volte. E pode vir de várias formas, mas precisamos estar preparados”, ressalta o acadêmico especialista em Arendt, Roger Berkowitz.
 

A pensadora também acompanhou de perto, com aflição e preocupação, os conflitos no contexto da Guerra Fria que causaram ebulição social nos Estados Unidos. Da perseguição macarthista à Guerra do Vietnã, o documentário refaz os capítulos da política norte-americana em meados do século passado, quando Arendt notou elementos totalitários brotando da sociedade e se preocupou com a capacidade do povo de resistir às mentiras e brutalidades persistentes.
 

“O que ela viu no fim dos anos 1960 e início dos anos 70, a aceitação da violência como forma de fazer política, a apavorava. Para ela, significava a vitória do totalitarismo”, afirma a historiadora e acadêmica Lindsey Stonebridge.
 

O documentário também já pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro TV+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A estreia é no dia temático Quintas do Pensamento, 19 de março, às 21h30.



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