No centenário da cantora Inezita Barroso, álbum resgata show
realizado no Sesc Consolação na década de 70
Capa do single Marvada Pinga. Arte: Alexandre Calderero
O projeto Relicário, do Selo Sesc, traz em setembro mais um registro raro e precioso da música brasileira com o lançamento do álbum Relicário: Inezita Barroso (ao vivo no Sesc 1978). Prévia do álbum digital, o Selo Sesc lança o single Marvada Pinga, uma das canções mais célebres na voz de Inezita. Também conhecida como Moda da Pinga e originalmente denominada Festança no Tietê, foi gravada pela cantora em novembro de 1953. O lançamento que compõe o relicário da cantora estará disponível nas principais plataformas de áudio em 5/9.
Marvada Pinga, composta por Ochelsis Laureano e gravada em 1937 por Raul Torres, já foi interpretada por inúmeros artistas, entre eles As Galvão, Laureano e Mariano, Passoca e Pena Branca e Xavantinho. Porém foi por meio da voz de Inezita Barroso que ficou realmente conhecida, sendo uma das marcas da carreira da artista. Com humor e informalidade, a canção remete à vivência rural e à cultura caipira, temáticas tão caras na trajetória de Inezita.
A reedição celebra não apenas a força interpretativa de Inezita Barroso, mas também seu papel como guardiã da tradição popular brasileira.
Relicário: Inezita Barroso (ao vivo no Sesc 1978) chega às principais plataformas de áudio em 12/9. O disco digital apresenta a gravação ao vivo do show realizado por Inezita Barroso no Sesc Consolação e soma-se ao rol de comemorações do que seria o centenário da cantora em 2025.
SOBRE INEZITA BARROSO
Inezita Barroso, nascida Ignez Magdalena Aranha de Lima, nasceu em São Paulo, em 4 de março de 1925, e tornou-se um dos maiores nomes da música brasileira voltada à tradição popular. Cantora, atriz, pesquisadora, apresentadora e folclorista, formou-se em Biblioteconomia pela USP e iniciou sua carreira artística nos anos 1940. Em 1951, gravou seu primeiro disco, e dois anos depois alcançou projeção nacional com o sucesso “Marvada Pinga”, canção que marcou sua ligação definitiva com a música caipira.
Contrariando os padrões de sua época e classe social, Inezita mergulhou no universo da cultura popular brasileira, percorrendo o país em busca de modas de viola, cantigas, lundus, emboladas e toadas — muitas das quais registrou em álbuns, livros e programas de rádio e TV. Seu trabalho era sustentado por rigor na pesquisa, sensibilidade como intérprete e um olhar generoso para as expressões culturais das classes populares.
No cinema, atuou em produções como Carnaval em Lá Maior (1955) e Ângela (1951). A partir dos anos 1980, ganhou notoriedade como apresentadora do programa Viola, minha viola, da TV Cultura, no qual permaneceu por mais de 30 anos, tornando-se referência na difusão da música de raiz. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios, incluindo o Prêmio Shell de Música e a Ordem do Mérito Cultural.
Inezita faleceu em 8 de março de 2015, aos 90 anos, deixando um imenso legado na valorização da cultura tradicional brasileira. Seu acervo está em processo de catalogação pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP.
SOBRE O RELICÁRIO
Relicário é um projeto permanente que reverbera a memória do Sesc São Paulo com registros do acervo da instituição que há mais de 70 anos tem na ação cultural o instinto de estimular a autonomia pessoal, a interação e contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.
O projeto apresenta áudios de shows históricos realizados em unidades do Sesc em São Paulo nas décadas de 1970, 1980 e 1990, remasterizados e formatados como álbuns digitais. A série também oferece o contexto histórico de cada registro, através de textos, vídeos e fotografias.
